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A crise e sua repercussão nos IPO

(VOLTAR) Márcio Veríssimo e Érika Tabacniks
Gazeta Mercantil 31/08/2007

O aumento da preocupação dos investidores em relação ao setor imobiliário fez as Bolsas internacionais e a Bovespa fecharem em queda na última terça-feira, dia 21. O risco-país subiu 4,1% e o dólar 1,1%. A grande pergunta que analistas e investidores vêm tentando responder é qual a extensão da crise e os reflexos dela para os mercados emergentes.

A história recente mostra que crises similares provocaram reações em cadeia e fuga de divisas nos países em desenvolvimento, que viram suas economias virarem pó após longos ajustes patrocinados pelo FMI.

Dessa vez, a aposta é que a situação não deve se repetir. A economia mundial vive um momento de crescimento sólido, puxado não só pelos Estados Unidos - epicentro da crise - como também por China e Índia. O Brasil e outras economias emergentes conseguiram fazer a lição de casa e têm hoje boas reservas de dólares para queimar caso necessário, sem recorrer ao fundo.

Mesmo com o cenário positivo, o momento é de cautela. Nas três últimas semanas, o Banco Central Europeu, o Fed e o Banco Cen-tral do Japão - despejaram cerca de US$ 300 bilhões para garantir liquidez ao sistema financeiro. Esse total eqüivale a quase o PIB da Suíça ou 1,5 vez o PIB da Argentina, por exemplo.

O importante é observarmos atentamente os movimentos do Fed. Caso seu presidente Ben Bernanke resolva reduzir os juros antes da reunião de setembro, um alerta vermelho deve se acender nas bolsas de todo o mundo. Será sinal de que o que está acontecendo é mais grave do que se imaginava no início da crise.

Neste caso, os efeitos para o Brasil podem ser mais graves, mas, por enquanto, a análise é otimista. Apesar de algumas empresas terem solicitado à CVM a suspensão de seu processo de abertura de capital por tempo indeterminado, a Bovespa ainda acumula alta no ano de 16,96%.

Os principais fundos brasileiros não têm aplicações nos fundos imobiliários norte-americanos e o volume de crédito imobiliário por aqui ainda é muito baixo tanto em termos absolutos quanto em percentual do PIB - nos Estados Unidos corresponde a mais de 60 % do PIB e no Brasil, a relação não supera 2%.

É consenso entre autoridades, governo e especialistas que o país está menos vulnerável que em crises anteriores. Na crise de 1999, quando o dólar disparou, o balanço das transações do país com o exterior era negativo. O Brasil precisava, na época, de US$ 1 bilhão semanalmente em financiamentos. Hoje, somos credores e temos reservas de mais de US$ 150 bilhões.

Em entrevista recente, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, cita que o país está bem preparado para enfrentar a crise, devido ao fato dos bancos brasileiros não possuírem participação no mercado imobiliário americano. Além disso, é importante ressaltar que o Brasil possui um sistema financeiro bastante sólido.

A Bovespa já vem apresentando sinais positivos frente à situação delicada do mercado imobiliário norte americano. O ritmo de queda do Ibovespa foi desacelerado e o giro financeiro mantém-se elevado.

Por fim, apesar dos últimos acontecimentos no mercado, analistas e investidores brasileiros começam a semana otimistas e continuam se preparando para os IPO que estão por vir.

 

 

 

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